Faces da adoção no Brasil
Por: Gustavo Precrimo
Mais de 5 mil crianças e adolescentes no país inteiro aguardam por candidatos, que enfrentam diversas dificuldades dentro do processo de adoção. Mais especificamente dentro do processo de habilitação da adoção. Para fazer uma análise completa é necessário dividir essas dificuldades em três partes.
As primeiras dificuldades que todo mundo pensa
quando se trata de adoção são as dificuldades psicológicas. Elas estariam
relacionadas a conflitos internos em relação aos estereótipos construídos
dentro do assunto.
Outros tipos de empecilhos comuns são os culturais. As
crianças, que em sua grande maioria já passam de 6 anos, carregam consigo sua
bagagem cultural. Os candidatos de adoção precisam se adaptar e se
conscientizar da cultura das crianças.
Somando esses problemas atingimos a terceira parte que é a
logística. Tanto pela demora do processo de habilitação, quanto os cursos
preparatórios. Todos demandam de tempo e paciência que às vezes são escassos. Isso
tudo repele aqueles que têm vontade de adotar.
Porém essas barreiras são desnecessárias? São somente para
dificultar a adoção? A resposta é não.
Todas as partes do processo são constituídas de minuciosas
informações e aprendizados fundamentais para uma adoção saudável. Todo o
preparo demanda tempo e paciência, elementos que não podem faltar em nenhum
tipo de afeto fraterno.
O psicológico dos candidatos deve ser trabalhado ao longo do
processo de habilitação. São impostos cursos, que aumentam o aprendizado e
discutem sobre questões culturais. Questões essas que são relacionadas ao
racismo dentro da adoção e a intolerância religiosa.
A recomendação básica para a resolução de conflitos internos
em relação ao desgaste que a adoção pode trazer é o diálogo. Pode até ser
vídeos orientando como se portar, quais documentos separar e os alertas para
toda burocracia envolvida.
Já a questão da logística não é tão fácil assim de resolver,
principalmente no momento em que vivemos. De acordo com o G1, o número de
adoções caiu 40% durante a pandemia. Isso muito devido a dificuldade de
adaptação ao processo remoto, que é duas vezes mais demorado.
Fica claro na verdade que a maior dificuldade mesmo vem no
processo de desconstrução de alguns paradigmas. E tudo que é necessário ser
feito é compartilhar informações que ajudem na aceitação da adoção no contexto
social. E sempre lembrar que adoção não é caridade.

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