Faces da adoção no Brasil

 Por: Gustavo Precrimo


Foto: Pixabay

Mais de 5 mil crianças e adolescentes no país inteiro aguardam por candidatos, que enfrentam diversas dificuldades dentro do processo de adoção. Mais especificamente dentro do processo de habilitação da adoção. Para fazer uma análise completa é necessário dividir essas dificuldades em três partes.

As primeiras dificuldades que todo mundo pensa quando se trata de adoção são as dificuldades psicológicas. Elas estariam relacionadas a conflitos internos em relação aos estereótipos construídos dentro do assunto.

Outros tipos de empecilhos comuns são os culturais. As crianças, que em sua grande maioria já passam de 6 anos, carregam consigo sua bagagem cultural. Os candidatos de adoção precisam se adaptar e se conscientizar da cultura das crianças.

Somando esses problemas atingimos a terceira parte que é a logística. Tanto pela demora do processo de habilitação, quanto os cursos preparatórios. Todos demandam de tempo e paciência que às vezes são escassos. Isso tudo repele aqueles que têm vontade de adotar.

Porém essas barreiras são desnecessárias? São somente para dificultar a adoção? A resposta é não.

Todas as partes do processo são constituídas de minuciosas informações e aprendizados fundamentais para uma adoção saudável. Todo o preparo demanda tempo e paciência, elementos que não podem faltar em nenhum tipo de afeto fraterno.

O psicológico dos candidatos deve ser trabalhado ao longo do processo de habilitação. São impostos cursos, que aumentam o aprendizado e discutem sobre questões culturais. Questões essas que são relacionadas ao racismo dentro da adoção e a intolerância religiosa.

A recomendação básica para a resolução de conflitos internos em relação ao desgaste que a adoção pode trazer é o diálogo. Pode até ser vídeos orientando como se portar, quais documentos separar e os alertas para toda burocracia envolvida.

Já a questão da logística não é tão fácil assim de resolver, principalmente no momento em que vivemos. De acordo com o G1, o número de adoções caiu 40% durante a pandemia. Isso muito devido a dificuldade de adaptação ao processo remoto, que é duas vezes mais demorado.

Fica claro na verdade que a maior dificuldade mesmo vem no processo de desconstrução de alguns paradigmas. E tudo que é necessário ser feito é compartilhar informações que ajudem na aceitação da adoção no contexto social. E sempre lembrar que adoção não é caridade.

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